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Saturday, September 04, 2010
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9 de julho de 1932: Estoura a Revolução

   

No dia 9 de julho, 23h30, o comando da 2ª Região Militar se rebela, invade as duas emissoras de rádio paulistanas. O Correio e a Companhia Telefônica caem nas mãos dos revolucionários e começa a luta armada. Está deflagrada a Revolução Constitucionalista. Cria-se o MMDC - sigla formada a partir de Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo, organização civil clandestina que oferecia treinamento militar entre outras atividades. São Paulo recebe apoio dos Estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. No dia 10 de julho é iniciada a campanha de alistamento voluntário. Na Faculdade do Largo São Francisco estudantes de Direito formam o Batalhão Universitário. As entidades civis, ACM-Associação Cristã de Moços, Rotarys, Lions, Maçonaria, Associação Comercial de São Paulo, FIESP- Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, etc., todas se mobilizam produzindo para a guerra. Fardas, agasalhos e meias para os soldados eram confeccionados pelas mulheres paulistas. A FIESP incumbiu suas associadas em um esforço de guerra à produção de material bélico. A Escola Politécnica empresta seus professores, engenheiros e estagiários para supervisionarem a produção. Granadas, cantis, capacetes de aço, veículos e trens brindados, armas leves e canhões de grosso calibre foram fabricados nas indústrias paulista. A 14 de julho, a Associação Comercial de São Paulo e os bancos lançam a campanha "Doe ouro para o bem de São Paulo", para lastrear a moeda de guerra instituída por decreto pelo governador Pedro de Toledo. Milhares de pessoas de todas as classes sociais doaram pratarias, jóias, pulseiras de ouro e os menos abastados doaram suas alianças de casamento.

A imprensa através dos jornais Correio Paulistano e a Folha de São Paulo até serem "empastelados", foram instrumentos importantes como divulgadores do movimento. O jornal O Estado de São Paulo resistiu ao furor ditatorial. No dia 25 de janeiro de 1932, o principal líder civil do movimento, o jornalista Júlio de Mesquita Filho, já havia comprovado sua liderança quando 100 mil pessoas em passeata da Praça da Sé até a sede do jornal na Rua Boa Vista, foram ouvi-lo em um inesquecível discurso: "Anulada a autonomia de São Paulo, o Brasil se transformou num vasto deserto de homens e de idéias. E, se o nosso afastamento da direção da coisa pública equivaleu à implantação do caos e da desordem em todo o território nacional, a ordem, a tranqüilidade, a disciplina, em uma palavra, o império da Lei e da Justiça só poderá ser restabelecido no dia em que São Paulo voltar à sua condição de líder insubstituível da Nação". Julinho como era conhecido foi membro da Loja Maçônica União Paulista II de São Paulo; Guilherme de Almeida e Menotti De Picchia alimentavam cada vez mais a chama acesa do movimento com reportagens e poemas na imprensa; As rádios paulistas são utilizadas para divulgação do movimento e o radialista Cesar Ladeira da Rádio Record ficou conhecido como "A Voz da Revolução"; Pedro de Toledo é proclamado governador do Estado de São Paulo. Todo o estado trabalhou e lutou com garra para a vitória da causa paulista.

Foram abertas três grandes frentes de batalha: nos limites do Paraná, das Minas Gerais e no Vale do Paraíba. As tropas enviadas para Itararé, divisa com o Paraná, retiraram-se antes da chegada dos 18 mil soldados das tropas governistas. A batalha mais importante na frente de Minas Gerais foi no Túnel da Mantiqueira. As tropas paulistas penetraram pelo Sul de Minas sendo barrados na cidade de Pouso Alegre e repelidos pelas tropas federais em direção à Campinas. Cidades próximas as divisas de Minas Gerais, (Itapira, Atibaia, Bragança Paulista entre outras) foram ocupadas pelas tropas federais e travaram combates com os paulistas. Principal acesso para o Rio de Janeiro, o Vale do Paraíba, foi visto pelos paulistas como teatro principal da guerra. A estratégia previa a conquista da cidade de Rezende, que chegou a ser bombardeada pela artilharia paulista, mas, a previsão de uma marcha rápida para o Rio foi obstada pelas tropas federais e com a falta de apoio de Minas Gerais, foram obrigados a bater em retirada para as divisas paulistas. Na cidade de Cunha, o agricultor Paulo Virgino tornou-se um herói e mártir, porque mesmo sob torturas, não revelou às tropas federais onde estavam posicionadas as tropas paulistas. Não resistiu as torturas, foi morto, mas graças a sua lealdade os paulistas venceram em Cunha, impedindo o avanço das tropas inimigas sobre a Serra do Mar. O desequilíbrio bélico era desproporcional. Enquanto os revolucionários paulistas tinham uma metralhadora para 50 homens, as tropas enviadas do Rio de Janeiro tinham uma metralhadora para cada três soldados.



 
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