Poucas pessoas, que hoje atravessam a Praça do Patriarca rumo ao Vale do Anhangabaú pela Galeria Prestes Maia, sabem que ela abrigou grandes eventos artístico-culturais e já foi um dos endereços mais concorridos da cidade.
A galeria também abrigou por muitos anos a livraria do MEC, e foi dela que saiu meu primeiro Atlas, em 1969. Também abrigou diversos serviços públicos: um deles a CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos), que além de emitir a carteira de passes escolares também vendia a cota mensal, que ainda me lembro: eram 50 passes. Enormes filas de estudantes se formavam. Anos mais tarde lá estava eu, novamente, na Galeria Prestes Maia. Desta vez para acompanhar o sorteio da rua e número do apartamento comprado junto à COHAB (Companhia de Habitação) outro órgão municipal.
Muitas lembranças. Essa exuberante galeria, com paredes e colunas revestidas de mármore, possui três níveis interligados por escadarias e escadas rolantes. Sua história tem início com a construção do "novo" Viaduto do Chá em 1938. O arquiteto responsável pela obra, Elisiário Bahiana, já previa o aproveitamento das estruturas internas das duas extremidades do viaduto, sugerindo a construção de dois prédios ocupados por salões de usos diversos. As obras da Galeria foram iniciadas em 1939 e finalizadas em 1941.
Enfeitam a Galeria, Graça I e Graça II, esculturas do modernista Victor Brecheret posicionadas no primeiro lance de escadas recepcionando os passantes. Entre o segundo e o terceiro pavimento, à esquerda de quem desce, há uma réplica em bronze de Moisés, de Michelangelo, feita pelo Liceu de Artes e Ofício. À frente de uma das entradas do Salão Almeida Júnior, encontra-se um busto em bronze homenageando o pintor paulista, Laurindo Galante.
Em 1965, ganhou o nome de Galeria Prestes Maia por decreto do então prefeito José Vicente Faria Lima, homenageando o ex-prefeito que falecera no mês de abril do mesmo ano.
Assim como toda a área central, a Galeria Prestes Maia passou por uma fase de degradação que se agravou a partir de meados da década de 70.
Esse processo de deterioração do espaço só começou a ser revertido em meados da década de 90. Incluída no projeto que previa a revitalização do Centro, e especificamente da Praça do Patriarca, a galeria passou por reformas estruturais
Hoje, a histórica Galeria Prestes Maia é mais um dos retratos da degradação do centro de São Paulo. Escada rolante quebradas está sem segurança e malcheirosa. Morcegos cruzam de um lado para o outro e as pessoas passam às pressas com medo de serem assaltadas. Em meio ao abandono, inertes e empoeiradas continuam a réplica em bronze de Moisés de Michelangelo, as Graças, mulheres esculpidas por Victor Brecheret, que tiveram a sua beleza e sensualidade cobertas pela escuridão bem como o busto do ex-prefeito Prestes Maia, cercado pela sujeira. Salas e espaços vazios que outrora foram dos mais exuberantes e concorridos desta cidade.